Redação de Evandro Luis da Silva, 16 anos.
Amanhã há um mundo a conquistar
Henrique andava de um lado para o outro, estava inquieto e o ambiente quieto e frio do hospital lhe fazia se sentir ainda pior. Preferia o de sua casa, com seu pequeno Arthur correndo de um lado para o outro e a tv ligada. Sua esposa fazendo de tudo para manter a casa limpa, fazer comida, as roupas cheirosas. Quanto medo ele sentia.
O medo lhe percorria todo o corpo, seu coração estava cada vez mais acelerado e detestava aquilo. Passou a mão pela barba e buscou o olhar de Tadeu, seu amigo.
_ Não fique assim, Henrique, ela vai ficar bem.
Tadeu era da polÃcia civil e Henrique nunca havia confiado nele _ ele não confiava na polÃcia _ mas era o único que estava do seu lado.
Henrique se virou para ele e fez um sinal negativo com a cabeça e quando abaixou-a sentiu as mãos de seu amigo.
_ O carro capotou. Tadeu… o carro capotou. Era tão difÃcil dizer aquilo, as palavras travavam na garganta e as lágrimas vieram. Ele o abraçou e chorou como uma criança.
Tadeu também o abraçou, mas não sentia nada. Imaginava que todo policial como ele, que já estava a vinte e um anos nas ruas, não sentia mais nada. Voltou os olhos ao amigo, bateu-lhe uma das mãos no ombro e com intenção de acalmá-lo?
_ Força, amigo. Ela ficará bem… Maria é uma mulher forte, sabe disso.
Mas Henrique não respondeu e logo depois o médico trouxe a notÃcia do falecimento de Maria.
Henrique pensou em como a vida era frágil, como tudo era tão pequeno e facilmente destruÃdo. Foi para casa e no caminho se lembrou do sorriso dela, foi até o quarto de seu filho e pensou em como seria suas vidas sem ela. Acordou de madrugada, olhou para o filho que, parecendo ouvi-lo chamar, acordou e abraçou-o com muita força. As lágrimas voltaram a rolar, mas havia uma serenidade estranha, uma presença mágica… a presença dela…
_ Durma, pequeno, amanhã há um mundo a conquistar.